quinta-feira, fevereiro 07, 2008

CAN 2008

» Aos poucos, África deixa de ser folclórica e feiticeira para ser como os outros: trabalhadora

África global - este mês de futebol sempre foi saboroso.

Decidi antecipar-me à final do Campeonato Africano das Nações (CAN), em futebol, que será realizada no próximo domingo, às 17 horas (hora de Portugal continental), na capital do Gana, Accra. Vão-se defrontar as equipas do Egipto (actual campeão, depois de ter vencido, em 2006, na final disputada no Cairo, a Côte d'Ivoire de Drogba, Yaya Touré, Zokora, Eboué, Arthur Boka e Aruna Dindane) e dos Camarões, onde alinha o nosso Bynias e também um tal de Samuel Eto'o, um dos mais brilhantes filhos da África futebolística. Eto'o é, na minha opinião, o melhor jogador africano da última década.

Antecipo o epílogo porque o campeonato está feito, entre-entre aspas: apesar de não sabermos o vencedor, já é época de balanço - Gana, Nigéria, Egipto, Côte d'Ivoire e Camarões são as melhores equipas do continente e, acrescento eu, não devem nada à grande grande maioria das selecções mundiais. Estes países são representados por atletas de grande valor, presente e futuro.

John Mensah, Sulley Ali Muntari, Michael Essien, Asamoah Gyan e Quincy Owusu, pelo Gana; Joseph Yobo, Taye Taiwo, John Mikel, Yakubu e Obafemi Martins, da Nigéria; Ahmed Fahti, Moawad, Hosni e Abutrika, do Egipto; os já referidos ivoirienses e ainda Eto'o, Geremi e restantes 'Leões Indomáveis' poderiam significar um plantel de luxo, abarcando a força e a resistência, com a técnica e a velocidade africana. Tudo jogado a um ritmo forte e sem grandes arranjos e bloqueios tácticos. Felizmente.

Outra das constatações que este Gana '08 nos trouxe, foi a certeza de que o Campeonato Africano de selecções nada deve a outras competições parecidas, realizadas mundo-fora: o facto (e não 'factóide') é que, ao nível do futebol de selecções, apenas dois eventos oferecem mais competitividade, qualidade e emoção: o Mundial e o Europeu. O CAN que agora termina confirma uma África cada vez mais global, globalizada e globalizadora.

Destaques individuais - fala Manucho meu mano!

» Trio de respeito e de observação futura: Gilberto (médio, Al-Ahly, Egipto); Manucho Gonçalves; Flávio Amado (ponta-de-lança, Al-Ahly, Egipto)

Pois é: a principal revelação foi mesmo Manucho Gonçalves, atacante angolano de 24 anos, 'ex' Benfica de Luanda, Petro de Luanda e recentemente contratado pelo Manchester United, acabando por ser emprestado ao Panathinaikos (de José Peseiro, Fyssas, Karagounis, Dame N'doye e Hélder Postiga). Autor de 4 golos em 4 jogos, Manucho confirmou aquilo que prometeu quando se segrou o melhor artilheiro do Girabola nas duas últimas épocas: estilo, boa movimentação, boa cabeçada e chute forte sem grandes 'quês'. Numa palavra: golo.

Hosni e Moawad: o 'Katsouranis' e o 'Léo' egípcio. É verdade, estes dois atletas fazem-me lembrar o médio e o lateral benfiquista, por tudo - ocupam as mesmas posições, desenvolvem trabalhos semelhantes dentro de campo, são bons jogadores e tem estilos parecidos com o grego e com o brasileiro. Hosni actua no Ismaylia e Moawad no Al-Ahly, ambos clubes egípcios. Esta equipa merece outra referência porque actua de forma pouco habitual - num 3-5-2 clássico, ou seja, 2 defesas 'centrais' (Shadi e Gomaa) mais um líbero-à-moda-antiga, Hany Said, que é baixinho, 'rato' e que faz aquele movimento clássico entre a defesa e o meio-campo, onde aparece diversas vezes na construção de ataques; depois, aparecem o tal Moawad, na esquerda, e Fathi, na direita, dois óptimos jogadores; no meio-mais-defensivo estão Shawky, Hosni e o 'regista' Ahmed Hassan; na frente equipam Momo Zidan e Moteaab (com Zaky sempre à espreita e Ahmed 'Mido' Hossan sempre pronto para criticar tudo e todos...), respaldados pela qualidade de Aboutrika (Al-Ahly), um mini-Zidane.

» O egípcio Hosni, apesar de algumas parecenças físicas e atléticas, não é 'Katsouranis' (nem Mubarak) - mas é um excelente jogador

Hassan Shehata (Egipto) e o angolano Oliveira Gonçalves são, para mim, os dois melhores treinadores do CAN. Curiosamente, são também os únicos treinadores africanos a dirigir selecções - entre Claude Le Roy (Gana), Pfister (Camarões), Berti Vogts (Nigéria), Gerard Gili (Côte d'Ivoire) e Henri Michel (Marrocos) pouco se aproveita. O resto não conta.

Para terminar - tchau Gana, alô Angola 2010

O próximo CAN será realizado em Angola, no mês de Janeiro de 2010. Vai ser uma loucura - neste momento o país apresta-se para construir cinco novos estádios (Cabinda, Luanda, Benguela, Huambo e Lubango), uma série de hotéis, estradas, aeroportos, enfim, a nossa esperança é que o CAN seja, apenas e só, a chancela e a confirmação de um novo país.

Outro facto curioso diz-nos que, no mesmo ano, realizar-se-á o primeiro mundial de futebol disputado em África. Ora, isto significa que Angola será uma espécie de balão de ensaio - todos vão olhar para o próximo CAN como se fosse a África do Sul e o próprio mundial. Todos vão estar atentos à organização, à qualidade das infra-estruturas e à capacidade de liderança na realização de grandes eventos.

Os participantes não serão, em princípio, muito diferentes do actuais protagonistas da 'áfrica no futebol' - Essien, Drogba, Eto'o, como 'reis'; e depois uma série de grandes atletas que confirmarão, em Angola, que África já faz parte do mundo, por todas as razões e mais algumas, sejam elas do foro desportivo, económico ou cultural. Ponho as minhas mãos no fogo.

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1 Comments:

Blogger LF said...

Leiam "O Carnaval da Luz" em

www.vedetadabola.blogspot.com

sexta-feira, fevereiro 08, 2008 6:50:00 da tarde  

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