segunda-feira, julho 03, 2006

Portugal vs França

O Portugal - Inglaterra foi um jogo pleno de intensidade, com muita luta na zona intermediária e inúmeros remates a ambas as balizas. No entanto, as oportunidades de golo escassearam. Eriksson ordenou o recuo estratégico das suas linhas, com defesa e meio-campo muito próximos e Rooney a fazer a primeira zona de pressão já atrás da linha divisória. Do lado português, Ronaldo e Pauleta pressionavam mais à frente, mas nem por isso Portugal se mostrava mais audaz. Scolari, mais uma vez, pediu a Figo que se ocupasse da organização ofensiva da equipa, cabendo a Tiago dar maior apoio a Miguel, responsável, quase em exclusivo, do flanco direito. Os ingleses até entraram melhor, graças à capacidade pendular de Gerard e Lampard - que tão depressa apareciam a municiar Rooney, como a vigiar as investidas lusas -, mas as coisas rapidamente se equilibraram. Na segunda parte, a Inglaterra voltou a entrar melhor e subiu no terreno, impondo o seu futebol. Mas o sangue quente de Rooney deitou tudo por terra - quando Lennon até entrara muito bem em jogo - destruindo um domínio que se intensificava de forma, aparentemente, irreversível. Eriksson foi forçado a decretar novo recuo das suas linhas - aí sobressaíu Owen Hargreaves, com uma exibição de encher o olho em todos os capítulos: pressionou, desarmou adversários, recuperou bolas, liderou a transição ofensiva, serviu os colegas e ainda teve tempo para rematar à baliza - e Scolari respondeu bem com as suas duas primeiras substituições, garantindo circulação de bola e capacidade de tiro. No prolongamento, Portugal ocupou o meio-campo e inglês, embora raramente tenha encontrado a forma ideal para alvejar Robinson. Serviu, no entanto, para ganhar alguma confiança, manifesta na hora de marcar as grandes penalidades.
Parreira, a muito custo, lá desfez o quadrado. No entanto, vai para casa na mesma. O Brasil até entrou melhor, com Juninho a pegar no jogo e a emprestar ao Brasil a fluidez que apenas se vira contra o Japão. Mas ninguém faz milagres sozinho e o outro quadrado - o de Thuram, Gallas, Vieira e Makelele - anulou o escrete por completo. Exemplar na sua organização defensiva, a França conseguiu equilibrar e, discretamente, Zizou assumiu as rédeas do jogo. Daí para a frente, o que se viu foi um autêntico show de classe e inteligência, com o Brasil a sobreviver à custa do desdobramento de Gilberto Silva e da concentração de Lúcio. Mas o segundo tempo começou com uma clara oportunidade para os franceses, confirmando o ascendente dos últimos minutos da primeira parte, e o golo não tardou. De bola parada, Henry marcou um golo inacreditável, de tão fácil, a castigar uma absurda e inacreditável falha de marcação: o 'gunner' era 'apenas' um dos cinco atacantes vigiados por três brasileiros! O Brasil não conseguiu reagir e Parreira, quando se exigia maior rapidez e versatilidade, tirou um dos poucos brasileiros com discernimento para refazer o quadrado com Adriano. Aposta falhada, pois claro. Só nos últimos dez minutos, já com Robinho, se viu alguma inciativa do escrete. Tarde de mais.

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