quarta-feira, junho 14, 2006

Fúria renascida?

Após ter anunciado que Raúl Gonzalez se sentaria ao seu lado no banco, Luis Aragonés ainda foi a tempo de efectuar uma inesperada revolução no onze da selecção espanhola. Albelda e Reyes foram as ausências mais surpreendentes, mas Lopez e Salgado também acabaram no banco. O certo é que a Espanha venceu e convenceu, deixando uma imagem de segurança e eficácia que raramente se associa a este país neste tipo de competições. Mas no ar, perante uma percepção de tamanha facilidade e simplicidade, fica a dúvida: a Espanha foi assim tão forte ou terá sido a Ucrânia - que nunca passou de Voronin + 10 - que se entregou nas mãos de 'nuestros hermanos'? No outro jogo do grupo, Túnisia e Arábia Saudita proporcionaram um mau espectáculo durante a primeira hora. Os últimos trinta minutos foram animados pelas mexidas dos treinadores e lá acábamos por ter alguma emoção. Deu empate, um resultado manifestamente injusto para a selecção que, no papel, menos argumentos apresentava, visto que a Túnisia, com mais experiência e melhores executantes, tinha obrigação de mostrar algo mais.
E afinal, o Brasil não é nenhum bicho-papão. Muitas dificuldades para segurar o jogo frente a uma Croácia cuja atitude competitiva escondeu grande parte das suas limitações. Ronaldo e Adriano são dois pesos-mortos na frente de ataque brasileira, o que dificulta enormemente a tarefa de Ronaldinho Gaúcho, sempre controlado por dois ou três adversários. Valeu ao Brasil a lesão de Kovac, que obrigou a equipa croata a reorganizar-se, e a inspiração de Kaká. E mesmo assim, a segunda parte foi vivida em constante sobressalto. Já no final, Robinho mostrou que, consigo em campo, a louça é outra. Apesar de tudo, o resultado é justo, já que o Brasil, fruto da sua maior capacidade técnica, criou mais oportunidades que os croatas. Nota de destaque para os adeptos croatas que fizeram uma autêntica festa nas bancadas e não se cansaram de apoiara a sua selecção. E lá surgiram as primeiras tochas no Mundial, criando uma bela imagem num sector onde se destaca uma enorme faixa da Torcida do Hadjuk Split.
A França lá insiste em não facturar num Mundial e os suiços mostram-se incapazes de aproveitar as insuficiências do adversário, transformando o seu embate num longo bocejo de 90 minutos. Por aqui, os olhos chegaram a fechar-se durante alguns períodos do jogo. Ainda assim, os helvéticos foram os que estiveram mais próximo do golo, com Barthez a defender um remate feito com... o nariz.
O Coreia do Sul - Togo foi um jogo chatinho e trapalhão nos primeiros 45 minutos, mas ganhou emoção e qualidade após o intervalo. Os africanos fizeram tudo para ganhar e acabou por ser isso a trair os seus propósitos. A jogar com menos um, o treinador do Togo manteve a aposta no ataque, esquecendo-se que do outro lado se encontrava uma equipa que faz da velocidade a base do seu jogo. Um remate expontâneo de Ahn sentenciou, de forma injusta, a partida, que ficou ainda marcada pelo primeiro grande frango do Mundial.

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