sexta-feira, maio 26, 2006

Por mais camisolas que vistas, esta será sempre a tua


Não posso assegurar que fossem estas as exactas palavras a marcar presença nas duas tarjas que serviram de legenda a uma gigantesca camisola 10 aberta sobre o topo sul da Velha Catedral, por ocasião da recepção à Fiorentina no jogo de apresentação aos sócios da época 96/97. Mas seria algo de muito próximo. Hoje, três anos depois de Vieira e a Adidas terem tentado assegurar a sua transferência e dez anos depois de ter assinado um pré-acordo com Vale e Azevedo (não confundir com o 'pseudo-acordo' anunciado um ano depois, durante a campanha eleitoral que Vale viria a ganhar, que o jogador desmentiu), Rui Costa regressa à Luz. A camisola, já a vestiu. O número logo se verá. O jogador, de forma acertada, colocou-se à margem desse problema.
Rui Costa merece este regresso. Nós também. No entanto, existem riscos. E como sempre, esses riscos vêm directamente das bancadas da Luz. É bom que os adeptos não revelem a sua habitual memória curta. É que o Rui nunca foi jogador de grandes correrias. Gosta de ter a bola no pé, contemporizar, ler o posicionamento do adversário e pensar o jogo, fazer a equipa mexer à sua volta. Correr, até corre, mas com a redondinha bem colada no pé. Por isso, a eficácia dos seus 'slalons', sempre esteve mais dependente do controle de bola que da velocidade imprimida. Tem, no entanto, um bom poder de arranque. Defender, só à zona. E meter o pé em lances divididos, o menos possível. Ora, como se sabe, quando as coisas não correm de feição à equipa, isso é meio caminho para o coro da Luz iniciar os seus assobios, as suas acusações de vedetismo e falta de vontade. Esperemos que isso não aconteça e que as pessoas se lembrem que é por este estilo de jogo que aprenderam a admirar o futebol do Rui. Não venham depois dizer que "afinal, está velho". Até porque se há coisa que confio é nos indíces físicos do jogador. Primeiro, porque o Milan já nos habituou à eficácia do seu laboratório de treinos, razão pela qual não tem medo de apostar em plantéis veteranos e experientes. Segundo, porque seria um risco excessivamente grande, para o prestígio de Rui Costa, vir arrastar-se pelos relvados portugueses.
Rui Costa parece consciente do que o espera e já fez questão de se afastar da aura de milagreiro. Que todos vejam nele um valor acrescentado para o Benfica, mas que ninguém ouse encará-lo como a solução para todos os problemas.

2 Comments:

Blogger Edson Arantes do Nascimento said...

Como disse ontem a um amigo: «Atenção ao 3º Anel e aos seus devaneios canibais!».

O Rui, se, porventura, não cumprir com o mínimo que se espera dele (e se a equipa não vencer títulos) vai ser (muito) criticado. É certo.

sexta-feira, maio 26, 2006 12:18:00 da tarde  
Blogger Pedro Neto said...

É precisamente isto que aqui está, muito bom post.

Espero que o 3º Anel não seja o que costuma ser, embora no caso do Rui acredito que vai ser diferente. O Rui Costa é especial e toda a gente sabe isso!

sexta-feira, maio 26, 2006 9:33:00 da tarde  

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