quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Os guardiões do templo

Quando Moreira surgiu no Benfica, eram pelo menos três os problemas que apresentava. Com o tempo, eliminou dois deles: as saídas a cruzamentos e as saídas para recolher bolas protegidas pelos seus defesas. Mas nunca conseguiu assumir-se como o patrão do sector defensivo. Começou a falar com os seus companheiros, dando uma ou outra indicação, mas continuou sem se impôr e a ser excessivamente permissivo para com os colegas na hora da verdade. Da boca de Moreira, raramente saía um grito e os golos sofridos eram sempre seguidos de aplausos de incentivo ou de um abrir de braços resignado.

Mas guarda-redes a sério, líder da defesa, é guarda-redes que grita, mesmo quando o adversário chuta a bola para a linha lateral, insulta e corrige constantemente. É o que faz Quim.
Trapatonni ter-se-á apercebido disso o ano passado. É verdade que a defesa enfrentava constantes mexidas, motivadas pelas lesões que se repetiam, mas Moreira nunca foi capaz de assumir as rédeas do sector. E por mais que não tivesse culpas directas nos golos sofridos, corria o risco de se começar a queimar com a quantidade de golos que ia encaixando. Trap quis "preservar um jogador em crescimento" e optou pela experiência e pelo carácter de Quim. E de repente, deixámos de ver Miguel e Luisão (os que davam mais nas vistas) a protestar com o homem das luvas. Pelo contrário, eram agora eles os alvos da gritaria. Aposta mais que ganha, já que a defesa do Benfica ganhou serenidade e acabou por sofrer menos golos com Quim do que com Moreira (embora o camisola 12 tenha efectuado mais jogos que o número 1).

Este ano repetiu-se o problema, agora agravado com a presença de Moretto na baliza. Independemente das suas qualidades e defeitos - cada um terá a sua opinião - é inquestionável que também Moretto carece de um espírito de liderança. A sua estreia até correu bem mas frente ao Nacional, a defesa já registou algumas falhas, tremideira que se tornou mais evidente em alguns lances de Barcelos. As exibições da defesa frente a Sporting e União de Leiria, onde até Luisão andou à nora, só vieram confirmar o que já se começava a temer.

Não sou grande adepto das estatísticas, porque nem sempre reflectem a realidade do que se passa no relvado. Mas, neste caso, não há como lhes fugir. A defesa do Benfica treme com Moretto, como tremeu com Néreu e por vezes tremia com Moreira. Os números falam por si.

José Moreira: 10 jogos, 8 golos sofridos.
Rui Néreu: 6 jogos, 6 golos sofridos.
Moretto: 6 jogos, 7 golos sofridos.
Quim: 9 jogos (alguns, fisicamente inferiorizado), 4 golos sofridos.

1 Comments:

Blogger Spinafro said...

Já não é de agora que afirmo que o Luisão e cia. só actuam com confiança quando o Quim defende as redes, mas o que me entristece no Moretto é o facto de ele ser fraco nos cruzamentos, pouco lesto nas saídas de baliza com os pés, coloca-se mal entre os poste, daí os golos da U Leiria do Liedson na Luz. Alto e tosco, o Moretto não indicou a ninguém que é titular de caras na Luz.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006 7:14:00 da tarde  

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