terça-feira, janeiro 16, 2007

Ainda Nuno Assis

Ninguém pode negar que o Sport Lisboa e Benfica, de um ponto de vista formal, seja responsável pelo agravmento da pena de Nuno Assis. Mas será justo criticar a opção do clube, como alguns se apressaram a fazer. Que se diria, então, se o Benfica nada tivesse feito? A função do presidente do Benfica é gerir o clube mas também defendê-lo, bem como jogadores e equipa médica. Assim sendo, esteve bem Vieira quando autorizou o recurso para o Conselho de Justiça. Independentemente da culpa que Assis, ou Rodolfo Moura, possam ter, e provavelmente terão, todo o processo suscita muitas dúvidas. Quanto mais não fosse, a situação até poderia ajudar o CNAD a corrigir alguns aspectos na sua actuação. Mas também já deu para perceber que ali se acham portadores de uma condição superior aos dos restantes mortais. Horta e amigos não erram: são autênticos robôs.
Difícil de compreender é a posição assumida pelo Governo.* Contestou a aplicação do castigo de seis meses? Que me recorde, não. Insurgiu-se contra o direito, legítimo, de jogador e clube recorrerem? Não, mas também era o que faltava. Na verdade, interveio apenas quando o CJ meteu água - e meteu mesmo, com uma decisão absurda -, mas esqueceu-se que estava um jogador em causa. Laurentino Dias não hesitou em prejudicar, voluntariamente, o jogador por um diferendo com uma outra entidade. O CJ, tão criticado, não sai minimamente prejudicado num embate onde Nuno Assis serviu de bola. Não podemos ser hipócritas. Em termos competitivos, Assis cumpriu a penalização. Não houve qualquer encontro oficial nos 15 dias em que foi amnistiado. Por isso, tem razão Vieira em parte da sua argumentação. O caso Assis gerou o ruído necessário para esconder o embaraço e o total alheamento do Governo relativamente a casos de corrupção. É no mínimo curioso que Laurentino Dias fale de "credibilidade" relativamente a este processo, mas não se preocupe com a "credibilidade" de jogos de futebol profissionais arbitrados por arguidos de um processo de corrupção.
Vieira perdeu, no entanto, excelente oportunidade para expôr Laurentino.Em vez de prometer luta ao Governo - afirmação vazia, populista e inconsequente - deveria ter sublinhado a decisão do TAD, que sempre tão rigoroso nas penalizações, se ficou pelo mínimo. O Benfica deveria ter tomado esta sentença como uma vitória e sublinhado a forma como Nuno Assis foi utilizado e espezinhado pelos governantes do seu país. Na verdade, ninguém no seu perfeito juízo esperava que Assis pudesse ser ilibado no TAD. O certo é que o TAD encontrou matéria para hesitar na punição. CNAD e Laurentino Dias, recorde-se, queriam dois anos.

*Ou não. Estará de alguma forma relacionada com a forma como a actual equipa do CNAD ali chegou? Afinal de contas, os amigos são para as ocasiões.

ps- José Lello diz que não compreende a referência ao termo "perseguição". Não concordo com a terminologia utilizada por Vieira e lamento que o Benfica politize as questões (ainda não esqueci o momento negro da participação de Vilarinho, enquanto presidente do Benfica, num comício do PSD), mas posso dar palpite. Terá a ver com o facto de alguém da Inspecção-Geral de Finanças, daqueles que são nomeados pelso Governos devido à sua condição militante, ter assinado duas declarações falsas que foram apresentadas na Liga e que poderiam ter ditado o fim do clube?

1 Comments:

Blogger Edson Arantes do Nascimento said...

Excelente "posta".

Permite-me apenas reforçar o meu espanto relativamente ao comportamento do secretário de Estado.

É realmente incrível que ele tenha "comprado" esta discussão, quando noutros apitos mete a gargantilha no bolso.

terça-feira, janeiro 16, 2007 10:45:00 da tarde  

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